Fui perdendo aos poucos a capacidade de escrever crônicas alegres e dissertações felizes, e acabei presa ao gênero dramático e infeliz cotidiano. Admito, não estou satisfeita nem feliz, mas é melhor escrever com uma tristeza sincera do que criar textos alegres e vazios. Admito também que, inevitavelmente, isto sou eu. Cada “a” e pingo do “i” tem um pedaço de mim e do que sinto. É segredo, mas às vezes escrevo milhares de textos e não os termino, então os salvo em uma pasta qualquer. Tento diversas vezes dar um fim a eles, mas sempre que volto para completá-los, já sou outra eu, já não pertenço mais a mim. Sou assim - mutável, inconstante, e conseqüentemente tudo o que registro também é. “E ele acreditava no que dizia, porque era um ficcionista. Tudo que precisava, naquele momento, era um lápis e um papel. Se tivesse escrito o que dizia, seria um escritor, como não escrevera, tratava-se de um mentiroso. Uma questão de nomes, de palavras.”, segundo Moacyr Scliar. Nem tudo o que escrevo é verdade, nem tudo o que sinto é real. Mas é sentimento; e, mesmo não ser dos mais bonitos, é meu. Então está valendo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário